Em Caxias do Sul, o projeto de ancoragens começa com a perfuratriz rotativa ou roto-percussiva posicionada sobre o talude ou a crista do muro a ser estabilizado. A geologia da Serra Gaúcha impõe desafios: o basalto da Formação Serra Geral, muitas vezes recoberto por espessos mantos de colúvio argilo-siltoso, exige a escolha criteriosa do diâmetro da perfuração, do comprimento do trecho ancorado e do tipo de injeção da calda de cimento. Nosso papel é dimensionar o bulbo de ancoragem para mobilizar a resistência ao cisalhamento na interface solo-calda ou rocha-calda, garantindo a transferência de carga de protensão ao maciço. Realizamos o cálculo estrutural do tirante e a definição da carga de incorporação, sempre compatibilizando o projeto com os resultados de sondagens SPT executadas no exato ponto de implantação. A cidade, com seus 463 mil habitantes e altitudes que variam de 660 a 800 metros, concentra obras de contenção em encostas e subsolos de galpões industriais, onde a cabeça do tirante e a placa de apoio são detalhadas para distribuir tensões sem punçoar o concreto da estrutura de reação.
O comprimento do bulbo de ancoragem em solo coluvionar de Caxias do Sul é definido pelo atrito lateral unitário medido em campo, não por tabelas genéricas.
