Quem projeta em Caxias do Sul sabe que o comportamento do solo muda radicalmente entre um bairro e outro. Enquanto nos platôs basálticos da região central e de Ana Rech encontramos rocha sã a poucos metros de profundidade, nos vales e encostas que descem em direção ao Rio Caí predominam depósitos de tálus e colúvios argilosos que amplificam de forma distinta as vibrações do terreno. Nosso trabalho de microzoneamento sísmico parte exatamente dessa heterogeneidade geológica, combinando campanhas de MASW e refração para mapear a profundidade do impenetrável e a variação lateral da Vs30, porque um fator de sítio genérico não reflete a realidade da serra gaúcha. O mapeamento de períodos fundamentais com sísmica passiva, obtido por refração sísmica e arranjos de geofones, permite identificar zonas onde a ressonância do solo pode coincidir com a frequência predominante de estruturas de médio porte, algo crítico em Caxias do Sul, cidade com população superior a 500 mil habitantes e polo metalmecânico de relevância nacional.
A amplificação sísmica nos colúvios da encosta da serra pode elevar a aceleração espectral em 40% comparada à rocha de referência, alterando a categoria de sítio do projeto.
